Gestão financeira é uma área do conhecimento em negócios que estabelece um conjunto de processos, ferramentas e ações que buscam dar sustentação as necessidades de planejamento, controle, análise e decisões financeiras. O objetivo da gestão financeira é garantir a saúde financeira do negócio, que significa a geração de resultados financeiros positivos e a sustentação da operação de saúde.

Historicamente muitas das funções relacionadas a gestão financeira é imposta por setores regulatórios e atendendo a finalidades contábeis e legais. Porém, nos últimos anos, clínicas, hospitais e operadores de saúde vem desenvolvendo uma visão gerencial das funções financeiras.

Isso significa que a gestão financeira cada vez mais é um elemento chave para gestores criarem inteligência estratégica para a organização, no contexto de agregação de valor ao negócio, por meio de iniciativas de geração de novas receitas, contenção de custos, gestão do ciclo de caixa, e operações estratégicas de como joint-ventures, M&A e outros.

Em resumo, a gestão financeira deve ajudar a liderar a organização para o futuro, e não apenas ser um elemento de controle. Abaixo listamos os principais objetivos da gestão financeira em saúde:

  • Reduzir o risco e aumentar a estabilidade da operação de saúde
  • Detectar fraudes e uso indevido de fundos
  • Melhorar condições de pagamentos de terceiros
  • Melhorar condições de recebimentos de terceiros
  • Melhorar a gestão de ativos e o capital de giro
  • Negociar contratos e reduzir os problemas da cadeia de suprimentos
  • Realizar investimentos que gerem resultados positivos
  • Financiar as melhorias necessárias na operação
  • Reduzir custos operacionais
  • Garantir conformidade com os padrões contábeis e de legislação
  • Proteger e manter o status fiscal da organização

Etapas da gestão financeira

• Avaliação:

Em primeiro lugar, a gestão financeira envolve avaliar a eficácia financeira das operações atuais com o objetivo de gerar direcionamentos e insights para o planejamento futuro. Neste momento são avaliados resultados, indicadores e demais planos da organização buscando destacar os aprendizados da execução passada.

• Planejamento de longo prazo:

Aqui o objetivo é visualizar decisões que irão direcionar a organização em um contexto maior, normalmente um espectro de no mínimo 3 anos. Tais decisões tem foco na aquisição de novas instalações e equipamentos, contratos de longo prazo, ampliação comercial, novas fontes de receita. Nesta etapa são estruturadas os principais objetivos e ações que a organização precisa realizar para garantir o seu futuro financeiro, o que envolve a visão da alta administração e também dos gerentes e suas respectivas unidades.

• Planejamento de curto prazo:

Aqui o objetivo é visualizar os objetivos e ações alcançáveis em um contexto de até 12 meses. Estas decisões são referentes ao caixa, títulos negociáveis, contratos com fornecedores, recebíveis e estoques. Os gerentes em todos os níveis são envolvidos na gestão de ativos de curto prazo, que é muitas vezes chamado de gerenciamento de capital de giro.

• Execução e Controle:

Uma vez estabelecidos os planos de longo prazo e de curto prazo, a organização deverá desdobrar os objetivos e ações a um nível gerenciável e executável. Para isso planos táticos e operacionais, com indicadores de controle e responsáveis devem ser elaborados, conduzindo assim as rotinas de execução do planejamento junto as unidades.

Atividades chave da gestão financeira em saúde

A gestão financeira contempla algumas atividades chave que são realizadas por gestores e analistas financeiros da área da saúde:

Fontes de receita:

Além de manter os preços dos serviços de saúde em taxas de mercado, os gestores financeiros avaliam o potencial de receita de novos serviços, como a compra de tecnologia de diagnóstico inovadora.

Controle de impostos:

Os governos federal e estadual geralmente procuram aumentar sua receita tributária gerando desafios a gestão financeira, por exemplo referente ao status de isenção de impostos de um provedor de assistência médica sem fins lucrativos. Duas maneiras de proteger a isenção de impostos de uma organização é limitar as cobranças a pacientes indigentes e abrir escolas de enfermagem acessíveis em comunidades carentes.

Controle de gastos:

Os gestores financeiros da área de saúde são responsáveis ​​por avaliação de custos, detectar fraudes e uso indevido de recursos, bem como por auditar as operações internas para evitar gastos desnecessários com medicamentos e equipamentos.

Investimentos de longo prazo:

A estabilidade futura das instituições de saúde depende em grande parte da receita gerada pelos investimentos de longo prazo de uma organização, incluindo o retorno que o operador obterá com a compra de novas tecnologias.

Gestão do capital de giro:

O capital de giro inclui caixa, títulos negociáveis, recebíveis, estoque e outros ativos circulantes detidos por uma instituição, menos seus passivos. O gerenciamento eficiente desses ativos e passivos ajuda a reduzir custos e melhorar a eficiência de uma organização.

Gestão de contratos:

Para evitar erros dispendiosos e garantir a conformidade regulatória, estabelecer estratégias sólidas de gestão de risco relacionadas à segurança do paciente e garantir financiamento suficiente no dia-a-dia, seja por meio de esforços de angariação de fundos, contratando empréstimos ou captação de recursos internos.