2020 foi um ano atípico. Um vírus surgiu e impactou o mundo inteiro. Dessa forma, uma pandemia de proporções inimagináveis demandou uma reorganização dos cuidados em saúde, contribuindo para a utilização de várias ferramentas digitais. Por exemplo, a telemedicina teve seu uso autorizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em março de 2020. Além da telemedicina, diversos dispositivos e tecnologias despontam como grandes promessas. Por isso, listamos abaixo algumas das principais tendências para o setor de saúde em 2021. Confira!

1. Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)

A LGPD foi sancionada em 14 de agosto de 2018 e, em julho de 2019, foi aprovada a criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), entidade responsável por fiscalizar o cumprimento da lei. Porém, foi apenas em setembro de 2020 que a lei entrou em vigor no Brasil. Com isso, começaram a surgir diversas dúvidas acerca de seu funcionamento.

A lei tem o objetivo de rever as estratégias e a política de coleta e armazenamento de dados, e determina que todas as empresas precisam informar em seus sites quem é o encarregado pelos dados – caso não, isso será considerado uma irregularidade.

A LGPD visa evitar os principais acidentes em relação ao tratamento de dados: a utilização inadequada de informações ou o vazamento dos dados. Portanto, os médicos gestores de consultórios, clínicas e hospitais deverão ficar atentos e pensar em como as informações de pacientes são acessadas para, a partir daí, desenvolver um checklist com as etapas para a adequação da política de armazenamento de dados do consultório. As punições às empresas que descumprirem o decreto só serão aplicadas a partir de 1° de agosto de 2021 e podem chegar a até 2% do faturamento da sua clínica, tendo um limite de 50 milhões de reais para o valor dessa multa. A LGPD, portanto, aparece como uma das principais tendências na área de segurança jurídica em 2021, e por isso, o setor da saúde precisa ficar atento, visto que ela é uma forma de conscientização sobre a necessidade e pertinência de solicitar e armazenar dados de pacientes e de colaboradores.

2. Telemedicina

O CFM autorizou o uso da Telemedicina em 20 de março de 2020, em caráter excepcional e temporário, em virtude da pandemia de Covid-19. Todavia, ao que tudo indica, esta é uma modalidade que veio para ficar. Em 2021, a tendência é que a Telemedicina evolua e amplie seu espectro de abrangência, contribuindo para tornar o sistema de saúde mais acessível e eficiente.

Atualmente, a Telemedicina está sendo utilizada com três principais finalidades: teleorientação, teletriagem e teleconsulta. Contudo, uma das grandes promessas é a implementação de perícias médicas por Telemedicina. De acordo com a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, o protocolo da experiência piloto foi aperfeiçoado para proporcionar segurança ao ato pericial dos peritos médicos federais, que ficam autorizados a realizar perícias médicas por Telemedicina, durante o período de enfrentamento da pandemia de Covid-19. A medida foi tomada em cumprimento à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).

Além das consultas remotas, especialistas já disseram ter observado um aumento do uso de dispositivos médicos em casa, sem precisar fazer visitas constantes a hospitais, como monitorar o tratamento de pacientes com câncer com o uso de sensores. Além disso, cada vez mais diferentes especialidades estão se adaptando ao uso da telemedicina como uma alternativa. Segundo estudo da Delloite, tecnologias como visitas virtuais, monitoramento remoto de pacientes (RPM) , saúde móvel (mHealth) e sistemas de resposta de emergência pessoal (PERS) permitirão que os pacientes deixem o hospital mais cedo porque suas condições crônicas ou pós-agudas podem ser rastreadas e tratadas independentemente de sua localização. 

Em 2021, outra modalidade que deve se popularizar é o atendimento híbrido. Ou seja, as primeiras consultas e atendimentos que necessitam de um diagnóstico podem ser feitas por meio do atendimento presencial, como de costume. Já consultas de retorno ou de acompanhamento podem ser feitas por Telemedicina.

3. Inteligência Artificial (IA)

O uso da inteligência artificial na área da saúde digital também deve aumentar consideravelmente nos próximos anos, com o mercado ultrapassando US$ 34 bilhões até o ano de 2025, e US$ 67 bilhões até 2027. Enquanto isso não acontece, alguns pacientes já estão presenciando o uso da tecnologia em seus tratamentos, como o robô PARO usado em pacientes com demência, ou ainda em chatbots que oferecem conversas customizadas durante as terapias.

A IA tem sido apontada como uma grande promessa para otimização de processos no setor da saúde, gerando ganhos de escala e performance. Em estudo publicado pela Delloite sobre as perspectivas do Setor da Saúde para 2020, são apontadas oportunidades de crescimento significativas em áreas como: Aplicativos de IA de nível clínico que avançam na análise preditiva, diagnóstico médico e documentação clínica. Os avanços impulsionados pela IA serão cada vez mais visíveis em todo o mercado de saúde, incluindo um forte potencial para assistentes virtuais interativos para melhorar a experiência do paciente e o fluxo de trabalho operacional dos médicos.

As IAs também devem beneficiar áreas genômicas, de medicina de precisão, imagem, descoberta de medicamentos, entre outras, podendo ainda prescrever tratamentos personalizados que se adaptem ao estilo de vida e os dados médicos de cada paciente. As companhias de biotecnologia e farmacêuticas usam algoritmos de aprendizado de máquina para reduzir o ciclo de desenvolvimento dos medicamentos, e há pouco tempo pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram uma IA que consegue reconhecer e diagnosticar pacientes com a COVID-19 com precisão, apenas analisando o som da tosse.

4. Cloud computing

O chamado cloud computing é uma tecnologia que se popularizou nos últimos anos e está relacionada ao armazenamento de dados na nuvem, garantindo mais segurança, confiança e otimização do tempo do profissional da Saúde.

Além disso, as plataformas em nuvem aumentam a colaboração entre médicos e pacientes e tornam o processo de consulta mais eficiente. Essa característica por si só já demonstra o motivo pelo qual o uso de dados na nuvem é considerado uma das principais tendências da saúde.

Há uma série de benefícios em implementar o sistema de armazenamento em nuvem em seu consultório, entre elas:

  • Auxílio no diagnóstico
  • Gestão dinâmica das informações
  • Maior segurança no processo de armazenamento de dados
  • Redução dos custos com infraestrutura
  • Flexibilidade de acordo com a demanda

5. Big Data

Desde que a frase “Dados são o novo petróleo” foi proferida pelo matemático londrino Clive Humby, ela é constantemente utilizada para ilustrar a importância dos dados na atualidade. Na área da saúde, não é diferente. O crescimento da quantidade de dados coletados sobre nossa saúde, de nossa interação com os serviços de saúde, bem como nossos próprios dispositivos e atividades online, significa que os provedores têm uma imagem cada vez mais precisa de onde e quando uma intervenção pode ser necessária.

A pandemia de coronavírus nos mostrou que há uma boa vontade em compartilhar nossos dados pessoais quando os benefícios para nossa saúde são claramente comunicados. Isso foi comprovado por sistemas de rastreamento que mantiveram os níveis de infecção sob controle em algumas regiões (embora menos em outras).

Isso será particularmente importante do ponto de vista financeiro. A pandemia de coronavírus tem custado caro para o setor de saúde, com as receitas caindo 50% nos Estados Unidos devido aos pacientes evitarem hospitais e cirurgias. Isso levará a uma maior dependência de ferramentas de predição baseadas em IA para prever onde os recursos podem ser usados ​​com mais eficiência. Os provedores de seguros também aumentarão o uso de tecnologia preditiva avançada para entender melhor o risco e definir os prêmios com mais precisão. Portanto, uma cultura organizacional cada vez mais baseada em dados (data driven) será uma forte tendência no próximo ano. 

6. Internet das Coisas Médicas (IoMT)

Segundo a Delloite, o mercado de IoMT crescerá a uma taxa significativa. Além de monitorar os pacientes em suas casas, as inovações em sensores e comunicações sem fio permitem que os pacientes sejam monitorados enquanto estão em trânsito. Nos próximos anos, as soluções de rede avançadas aumentarão o potencial do IoMT e oferecerão uma oportunidade para os pacientes gerarem dados em tempo real que permitirão uma recuperação de tratamento agudo mais ativa, bem como para melhorar a capacidade de lidar com várias condições crônicas.

7. Aplicativos e wearables para monitoramento da saúde

Cada vez mais os serviços que oferecem soluções de monitoramento estão evoluindo consideravelmente, estejam eles disponíveis em relógios inteligentes ou em aplicativos para smartphone. É possível monitorar os dados de saúde de pacientes com doenças crônicas, como em diabéticos, medindo os níveis de açúcar no sangue ou a quantidade de oxigênio no sangue em casos de doenças respiratórias.

Os aplicativos e os chamados wereables, ou seja, dispositivos usáveis, como os smartwatches, também estão sendo utilizados na saúde. Os serviços que oferecem soluções de monitoramento estão evoluindo cada vez mais. Até 2023, a previsão é que o mercado de dispositivos vestíveis, os wearables, atinja um valor de mercado de US$ 27 milhões.

8. Realidade Virtual e Realidade Aumentada

O uso da Realidade Virtual na área de saúde digital, segundo uma pesquisa divulgada em julho deste ano, deve ser avaliada em aproximadamente US$ 2.383,68 bilhões até 2026, devido ao seu grande potencial de dominar a área da medicina e eliminar a necessidade do uso de determinadas medicações ou de cirurgias. A fim de comparação, o valor de mercado em 2018, há apenas dois anos, era de US$ 240,91 milhões. A tecnologia, atualmente, vem sendo usada para o tratamento de dores crônicas, ansiedades e transtorno de estresse pós-traumático.

Já a Realidade Aumentada é uma ferramenta que tem sido utilizada em diversos setores, e já é usada na área da saúde. A tendência é que, em 2021, essa tecnologia passe a ser cada vez mais usada em vários âmbitos, de salas de cirurgia até no tratamento de dores crônicas, ansiedades, tratamentos fisioterápicos e transtorno de estresse pós-traumático.

9. Medicina de precisão

A edição de genes nos permite influenciar características específicas que são herdadas por novas células vivas, quando novas proteínas são criadas pela divisão de células existentes. Essas características, conhecidas como fenótipos, governam a longevidade da célula, sua capacidade de sobreviver contra lesões ou doenças e muitos outros fatores. Ao manipular esses fenótipos por meio de técnicas como CRISPR-Cas9, os cientistas já fizeram muitos avanços no tratamento de doenças fatais, incluindo distrofia muscular de Duchenne, doenças cardíacas e câncer.

Devido aos avanços neste campo, é provável que vejamos o desenvolvimento acelerado de formas de tratamento conhecidas como “medicina de precisão”, em que os medicamentos podem ser personalizados para corresponder ao perfil genético de cada paciente, tornando-os mais eficazes e menos prováveis para causar efeitos colaterais indesejados. A tecnologia também foi usada para criar um “laboratório em um chip”, projetado para detecção rápida de infecção por coronavírus. Um dispositivo portátil capaz de detectar se as pessoas estão infectadas, sem ter que depender de indicadores imprecisos, como tosse ou temperatura, pode ser extremamente benéfico em devolver um nível de normalidade às nossas vidas.

E, indo além dos casos de uso médico, os métodos demonstrados pela startup do Reino Unido, Tropic Biosciences, foram usados ​​para criar grãos de café sem cafeína, reduzindo o custo e os recursos gastos na descafeinação de grãos regulares. Eles também criaram bananas resistentes a doenças, o que poderia transformar uma indústria que atualmente gasta um quarto de seus custos de produção no combate a doenças.

Concluindo, “toda empresa é uma empresa de saúde”, como bem definiu a consultoria Accenture em um artigo recente. As preocupações com saúde, aumentadas durante a crise, não diminuirão depois que tudo passar. Em vez disso, a saúde dominará. Uma economia de saúde surgirá com oportunidades a serem exploradas por todos. Todas as experiências, produtos e serviços serão reavaliados pelas pessoas de acordo com a extensão em que eles melhoram ou diminuem a saúde de quem os consome. Assim sendo, um consultório, uma clínica, um hospital realmente precisam ser empresas de saúde em 2021. Como? Entendendo as preocupações de pacientes e colaboradores, administrando-as e eliminando-as com responsabilidade. Todas as especialidades médicas precisam observar com atenção essa máxima.

 Nesse sentido, há tendências que vieram para ficar: maior atenção do paciente às normas de biossegurança; a telemedicina, juntamente com a prescrição eletrônica, o prontuário eletrônico, o check-up digital; a digitalização de parte do atendimento médico; a valorização da vigilância epidemiológica, da Medicina Integrativa e da alimentação saudável; a educação médica online; a neuroarquitetura e principalmente, um empoderamento sem precedentes do paciente, que conquistou, dentre muitas coisas, em 2020, uma grande oferta de serviços em sua própria residência (coleta laboratorial, exames de imagens, vacinação). Ao mesmo tempo, a busca pela personalização dos tratamentos deve ser intensificada pelas clínicas e consultórios que não quiserem ser deixados para trás. Além de se voltarem a nichos específicos, o fechamento de parcerias estratégicas e o investimento em procedimentos com valor agregado.

A tecnologia tem sido uma importante protagonista na resposta à pandemia. O sistema de saúde está na primeira linha de enfrentamento da crise e, portanto, precisa de uma evolução rápida para combater o novo coronavírus. A crise intensificou a necessidade de mudanças no Setor Saúde, abrindo espaço para inovações e acelerando a transformação digital nas unidades de saúde. Como consequência, tendências apontadas para o futuro da saúde vêm cada vez mais se tornando realidade. 

O ano de 2021 se inicia com a promessa de evolução na saúde e superação dos obstáculos que impactaram esse ano! E para você, faltou alguma tendência que você acha que será destaque na saúde? Conta pra gente nos comentários

Fonte:
https://www.connectcom.com.br/quais-sao-as-tendencias-para-o-mercado-da-saude-em-2021-2/

https://www.mundodomarketing.com.br/noticias-corporativas/conteudo/245347/tendencias-da-medicina-para-2021-e-alem-dele

https://abiis.org.br/7-tendencias-digitais-de-saude-para-ficar-de-olho-em-2021/

https://www.universodoc.com.br/2020/12/18/5-tendencias-para-a-area-da-saude-em-2021/