Assim como é importante cuidar da saúde dos pacientes, é extremamente válido que os profissionais da saúde também saibam cuidar de sua saúde financeira. Pelo fato dos profissionais da saúde terem longas jornadas de trabalho e, geralmente, em mais de um local, muitos não sabem como controlar seu dinheiro de forma correta. Isso vale, principalmente, para os profissionais que costumam ter remunerações variáveis vinculadas a diferentes tipos de pessoa (física e jurídica), por exemplo. Logo, o planejamento financeiro possibilita definir objetivos e montar uma estratégia para que, de forma inteligente, suas metas sejam alcançadas sem grandes sacrifícios.

Esse planejamento normalmente é realizado a partir da utilização de ferramentas de controle, aplicando inteligência e facilitando a realização de objetivos. Vale lembrar que, antes de realizar um planejamento financeiro, é essencial possuir um controle financeiro pessoal. Isso porque é de grande importância ter um registro de todos os seus gastos antes de montar uma estratégia. Quando você registra suas despesas, uma a uma, é possível entender exatamente o que está acontecendo com o seu orçamento de forma detalhada. Assim, evitam-se surpresas com o valor da fatura do cartão de crédito, por exemplo!

Quando o assunto é planejamento financeiro, é essencial entender que ele não deve ser feito ocasionalmente. Na verdade, ele deve integrar a sua vida pessoal, para te auxiliar a tomar melhores decisões no longo prazo. Por isso, de nada adianta sentar no começo do ano para organizar seu orçamento e acabar deixando a programação de lado antes mesmo do Carnaval. Isso porque, um bom planejamento financeiro demanda disciplina e responsabilidade de cada um dos envolvidos, e deve ser revisado constantemente. Assim, é possível analisar se o que já foi e o que ainda será feito está de acordo com o planejamento. Essa é a única forma de assegurar bons resultados e garantir que o caminho para conquistar seus objetivos está sendo seguido.

Da mesma forma que é importante possuir um controle financeiro pessoal, os profissionais da área de saúde também precisam saber diferenciar suas finanças pessoais da empresarial. Isso porque, no contexto atual, ser um bom profissional na sua área de formação não é garantia de sucesso para o negócio. Portanto, ao abrir uma clínica, por exemplo, é essencial saber administrar o negócio de forma eficaz. Essa prática envolve saber suprir demandas, cumprir com processos e, principalmente, a gestão financeira da clínica.

Profissionais autônomos, independente do segmento, necessitam de uma boa gestão envolvendo tanto as finanças do negócio como também as finanças pessoais, afinal, estas acabam caminhando praticamente juntas. Boa parte dos profissionais da área da saúde, como médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas, muitas vezes optam por seguir carreira como autônomos, com o desenvolvimento de suas próprias clínicas. Porém, muitas vezes, a seja por falta de base ou por falta de tempo, a gestão das finanças é deixada de lado, e isso pode trazer, para estes profissionais da saúde, um problema de saúde um pouco diferente, envolvendo o “órgão” mais sensível do nosso corpo: o bolso!

Durante a formação acadêmica, profissionais da saúde acabam se capacitando para saírem especialistas na área em que vão atuar, e, seguem fazendo diversos cursos de especialização, cada vez tornando-se mais referência no que fazem. Por outro lado, conhecimentos sobre a gestão de seus negócios e das suas finanças pessoais são abordados de forma bem resumida, ou até, deixado de lado em muitas formações.

Isso faz com que muitos destes profissionais tenham a impressão de que, no final das contas, trabalham, trabalham e trabalham, mas não sabem onde está o dinheiro e, mais do que isso, até se enrolem com dívidas, mesmo com bons faturamentos. Pensando nisso, descrevemos algumas dicas que podem ajudar.

Preparamos uma planilha profissional para planejar suas finanças em 2021!

1. Finanças Pessoais x Finanças dos Negócios

Alguns profissionais de saúde que possuem consultório próprio confundem o que pertence a eles e o que é da empresa. Na verdade, eles encaram seus consultórios como continuação de seus gastos pessoais, e não necessariamente vêem como uma empresa. Podemos afirmar que pensar desta forma é um equívoco, mas que é possível resolvê-lo.

O primeiro grande passo para evitar dores de cabeça envolvendo o dinheiro é separar as finanças pessoais das finanças do negócio. Tenha controles, reservas, contas e cartões separados. Tudo que é gasto relacionado ao negócio deve ser pago pelas contas do negócio, e vice e versa. Tente definir um valor fixo que será transferido todo mês da conta do negócio para a sua conta pessoal. Este valor será o seu pró-labore, que funcionará como o seu salário. Nos meses mais positivos, você também poderá ter uma retirada dos lucros, que será como um bônus pelos bons números do mês. Porém, evite retirar tudo. No cenário de lucro, divida uma parte para você e uma parte para ser reinvestida no negócio. Lembre-se também que no começo do negócio e em algumas etapas, é preciso aportar dinheiro do seu bolso no negócio. Veja, que no final das contas, é uma via de duas mãos. E sempre anote tudo.

2. Planejamento Financeiro

Um planejamento financeiro serve para definir ações que ajudem a alcançar metas financeiras. Desse modo, pode ser utilizado para quitar dívidas, pagar contas em dia ou até mesmo alcançar sonhos como comprar uma casa. Apesar disso, essa estratégia ainda parece distante da realidade de muitos brasileiros, principalmente porque no Brasil não existe uma valorização da educação financeira. Além disso, a falta de um planejamento pode afetar a gestão do dinheiro tanto em famílias quanto em empresas. Sendo assim, o planejamento financeiro é uma peça fundamental para o sucesso econômico de pessoas e empresas.

Caso você seja uma pessoa física, o primeiro passo para ter um planejamento financeiro é saber quanto você recebe mensalmente. Sabemos que, para os profissionais da saúde, esse valor costuma variar, mas isso não é um problema. O importante é que você anote quanto recebeu de forma líquida, ou seja, depois de descontar todos os impostos e contribuições, e de onde veio esse dinheiro. Em seguida, considere os gastos fixos que costumam ser aqueles básicos para “sobrevivência” e, por isso, são tão importantes de serem controlados. É muito simples de identificar quais são esses, basta listar quais são os gastos iguais ou que possuem variações pequenas. Por exemplo, todos os meses você paga: luz, água, condomínio, escola dos filhos, telefone, internet, supermercado, etc. Após listar os gastos fixos, verificará qual valor é gasto com ele em média e reservará esse valor do seu salário para arcar exclusivamente com essa lista.

Em seguida, liste os gastos variáveis que são aqueles gastos extras do seu dia a dia. Apesar de serem diferentes todos os meses, eles que costumam ter grande representatividade nas suas despesas. Controlar isto é a parte mais difícil para obter um bom planejamento financeiro, pois será necessário disciplina para anotar tudo que você gastou e com o que gastou. Por exemplo, se você saiu para um happy hour depois do trabalho, se foi ao cinema, se comprou um tênis, anote!

Ainda, quando chega final/início de ano, as contas costumam se acumular e a quantia de dinheiro necessária para honrar com suas obrigações pode ser superior à sua remuneração do mês. Para evitar dores de cabeça, é interessante que você reserve uma estimativa de quanto precisa para pagar todas suas contas nessa época. Fazer isso é muito simples. Liste todos os gastos anuais como IPVA, IPTU, presentes de natal e seguro do carro. Depois, monte uma média da quantia necessária para cada um dos itens e divida esse valor por 11. Agora, todos os meses você economizará esse valor para que, no mês que precisar, você não sacrifique seu estilo de vida para honrar com a contas.

Caso você seja uma pessoa jurídica, tente mitigar os riscos. Fazer um planejamento financeiro te ajudará a minimizar sustos e direcionar para onde você quer levar o seu negócio. Para fazer este planejamento, levante todos os gastos fixos do negócio e projete-os ao longo dos meses. Levante quanto você gasta com aluguel, água, eletricidade, salários, internet, telefone, entre tantos outros gastos. Lembre-se também dos gastos que não aparecem sempre o que estão “escondidos”, como tarifas bancárias, hospedagem de site, provedor de e-mails. Faça também uma projeção das suas receitas, pelo seu histórico, sazonalidades e por suas expectativas. A partir destes valores, você também conseguirá projetar os gastos variáveis, como impostos, comissões e encargos de máquinas de cartão. Por fim, verifique, de acordo com as suas expectativas, qual o resultado esperado mês a mês.

3. Acompanhamento e Controle

Um planejamento financeiro feito e nunca mais olhado não servirá de nada. Uma vez que estiver feito, você precisará acompanhá-lo mês a mês. Para isso, é importante que você registre todos os seus gastos e suas receitas. Esse registro pode ser feito no papel, numa planilha ou em num sistema. Não importa a forma de registro, o importante é ter estes números em algum lugar, que não seja na sua cabeça. Com base nestes registros, faça uma comparação de quanto você gastou e recebeu em relação ao que havia planejado. Percebendo que os números não estão bons, busque entender o motivo e faça um plano de ação para melhorar a situação.

Agora que você já tem uma ideia de como é seu fluxo de caixa, chegou o momento de projetar. Utilize os dados que acabou de levantar e projete seu fluxo de caixa por 12 a 24 meses (1 ou 2 anos). Seja sempre conservador nas projeções de receita e sempre “chute” as despesas variáveis um pouco para cima, evitando surpresas desagradáveis. Avalie se o resultado está de acordo com o que você tinha de expectativas. Caso contrário, revise onde ainda pode cortar despesas ou se há a possibilidade real de aumentar os seus ganhos.

4. Foque nos custos estratégicos

No livro “Dobre seus Lucros”, o autor Bob Fifer apresenta uma divisão muito interessante entre os custos: estratégicos x não estratégicos. Os custos estratégicos são todos aqueles que diretamente contribuem para gerar mais negócios, e, consequentemente, aumentar os lucros. Já os custos não estratégicos são aqueles necessários para o funcionamento da empresa, mas que não contribuem para gerar negócios de forma direta ou clara. Desta forma, priorize em “investir” nos custos estratégicos. São eles que farão os seus números crescerem.

5. Busque economias nos custos não estratégicos

Os custos não estratégicos não contribuem de forma direta ou clara para a geração de negócios. Dessa forma, busque economizar o máximo possível neles. Busque opções para economizar com taxas, tarifas bancárias e outros gastos que não agreguem valor ao seu serviço, para que a economiza possa ser direcionada para os gastos estratégicos. Para estes custos, sempre vale a comparação de preços, buscando sempre o melhor custo/benefício.

6. Conheça seu mercado e seus concorrentes

Praticamente todos os produtos e serviços possuem algum concorrente. O mesmo acaba acontecendo com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas. Verifique na sua região quais são os profissionais que fazem o mesmo que você, quanto eles cobram, quais planos de saúde eles atendem, onde eles atendem e como é o espaço deles. Da mesma forma, sempre dê ouvido aos seus clientes, pois o feedback deles pode ajudar muito nas ações a serem tomadas, visando sempre melhorar o que você está oferecendo. Explorando bem estes pontos, você terá uma boa base para te ajudar a calcular os seus preços.

7. Indicadores: uma forma de você saber o que está acontecendo com o negócio

Muitos mais do que ter os números no papel, é importante analisá-los e saber o que eles estão mostrando. Para isso, busque indicadores e crie metas em cima deles. Alguns números interessantes de serem levantados em indicadores são: faturamento, custos fixos, custos variáveis, custos por categorias, lucro, número de clientes, ticket médio, satisfação dos clientes, entre diversos outros. Além de controlar os números, é válido analisar e refletir em relação aos resultados encontrados. Com suas entradas e saídas organizadas, será mais fácil de você adequar seus hábitos para economizar dinheiro e conquistar aquela viagem que tanto deseja, por exemplo.

8. Não gosta de números ou não tem tempo? Busque ajuda!

Profissionais autônomos da área da saúde costumam, na maioria dos casos, se enquadrar em uma destas situação (em alguns casos, não em uma, mas nas duas): não tem tempo para fazer uma boa gestão financeira do negócio ou não gostam dos números. Em ambos os casos, visto que a gestão financeira será deixada de lado, é importante buscar ajuda para evitar que isto aconteça. Busque opções como sistemas, estagiários ou assessorias que possam ajudar você a mandar nas finanças do seu negócio, e não o contrário.

9. Defina o seu futuro

Você já tem uma visão geral das suas finanças atuais e também uma visão projetada de futuro. Agora é hora de criar um compromisso forte entre você e seu dinheiro. Coloque como meta o que deseja investir por mês e faça! Não existe fórmula mágica! Se deseja ter equilíbrio e independência financeira no futuro, precisa economizar hoje! E, principalmente, investir bem o seu dinheiro (se não tem familiaridade com investimentos, procure um especialista para te ajudar e fuja da poupança).

Ao mesmo tempo, o planejamento financeiro para o mundo corporativo se torna essencial e definitivo se você tem a intenção de montar um negócio de sucesso. Nesse sentido, existem algumas metodologias comuns que podem auxiliar os empreendedores, como o 5W2H, PDCA e a análise SWOT. Essas ferramentas ajudam a identificar quais objetivos fazem mais sentido para o empreendimento. A questão é que, independentemente do caminho escolhido pelo gestor, ao final do processo, um bom planejamento financeiro deve ser capaz de detalhar todos os custos da operação e conseguir projetar uma expectativa de retorno, a fim de garantir os lucros. Portanto, é a receita que deve assegurar a sobrevivência inicial, garantir o crescimento esperado e possibilitar a tão sonhada expansão.

 10. Faça avaliações periódicas

Faça avaliações periódicas de seus resultados, verifique se os objetivos estão sendo cumpridos e se há necessidade de algum ajuste. Quanto mais rápido corrigir a rota, menos perdas você terá, sejam elas financeiras ou de tempo. Lembre-se: controle financeiro é questão de hábito e, quanto mais toda família estiver alinhada com os mesmos objetivos, maior a chance de resultados positivos.

Portanto, o planejamento financeiro ajuda os profissionais de saúde a planejar e controlar suas finanças de maneira eficiente, e não improvisada como a maioria dos profissionais fazem.

Com esse planejamento é possível traçar metas, avaliar resultados e ter métricas que possa auxiliar no aumento da receita, diminuição das despesas, enfim, ter um resultado financeiro melhor. Independentemente de o cenário ser de crise, onde o objetivo é sair das dívidas e colocar as contas em dia, ou em um cenário de prosperidade, onde você pode querer realizar uma aquisição de bens ou experiências, todo momento é ideal para organizar as finanças e planejar o futuro. Portanto, percebe-se que um planejamento financeiro é de suma importância, pois é ele que irá lhe guiar até essa conquista, a partir de estratégia e inteligência. Isso vale tanto para pessoas quanto para empresas, de modo geral.

Fontes:

https://contabio.com.br/planejamento-financeiro-para-profissionais-de-saude/

https://laboratoriosaogeronimo.com.br/post/a-importancia-do-planejamento-financeiro-para-profissionais-da-saude/78

http://gestaofinanceiracriativa.com.br/8-dicas-de-gestao-financeira-para-profissionais-da-saude/